Curiosidades sobre Marguerite Duras

4 de abril de 2018 às 11:54

Por Beatriz Prieto

Hoje, 4 de abril, marca o nascimento de Marguerite Duras, uma mulher multifacetada que ocupou lugares importantes na literatura, no cinema, e no teatro. Celebramos sua memória com alguns fatos para você conhecer mais sobre ela. Voilà:

Escreveu 50 romances

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Capa de “L’amant”, uma de suas obras mais conhecidas

O portfólio de Duras é extenso, e seu texto tomou forma até mesmo no cinema, com o longa de Alain Resnais, “Hiroshima, meu amor”, que teve o roteiro escrito por ela. Já entre os seus romances, destacam-se “O Amante”, vencedor do prêmio francês Goncourt, que é autobiográfico e conta sobre a sua relação, ainda na adolescência, com um chinês abastado. Outros títulos, como “A Dor” e “Uma Barragem contra o Pacífico” também receberam influência direta dos acontecimentos de sua vida e a consagraram como uma das vozes femininas mais interessantes da Europa, estendendo seu talento para peças de teatro, novelas e filmes.

Nasceu no Vietnã

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Casa do personagem que inspirou a obra L’amant, o chinês Huynh Thuy Le 

Duras é filha de pais franceses, que trabalhavam no governo do país e se mudaram para o Vietnam, então colônia pertencente à França, a Indochina. Lá a escritora passou sua infância e adolescência antes de ir cursar Direito na Universidade Sorbonne, em Paris, para onde se mudou aos 18 anos. Marcada pela vivência asiática, ela transportou seus causos pessoais para os livros e detalhou, flertando com a ficção, o lugar em que morava, sua escola, e outros pontos relevantes que ficaram em sua memória afetiva.

A mulher em sua obra

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Ainda que a escritora não tenha se declarado feminista, seu texto escancara uma verdade que vai além da literatura: “as personagens de Duras personificam, mais do que vivem, o silêncio e a falta”, de acordo com o artigo “A crítica literária feminista e a crítica literária feminina: O caso de Marguerite Duras”, de Stephanie Carolina Andreossi. Trazendo a mulher para o seu lugar de ser faltante, a escritora consegue perpetuar uma crítica ao silenciamento da voz feminina que, segundo ela mesma, tem o mesmo direito de fala e de posicionamento que teria o homem. Duras também se inspirou na psicanálise lacaniana para guiar seu texto, como é possível notar no livro Écrire, que narra seu processo de escrita e a costura que tentava fazer entre a personalidade de suas personagens e a teoria psicanalítica. Intéressant!