Lugares simbólicos da Revolução Francesa

7 de julho de 2017 às 15:37

Por Beatriz Prieto

O quatorze juillet e todo o seu peso histórico de mudança social completa 228 anos em 2017, e como forma de recuperar um pouco de sua essência transgressora, indicamos cinco lugares que foram simbólicos nos tempos de luta, tanto durante a Revolução, como em sua transição para a Era do Terror, que ocorreu entre 1793 e 1795, quando muitos foram violentamente decapitados, entre eles a rainha Marie Antoinette e o rei Louis XVI. Todos, exceto a Prison de la Bastille, a qual só restaram alguns escombros, podem ser visitados pelos turistas. Veja:

Hôtel National des Invalides

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Sob os mandos de Louis XIV, o Hôtel des Invalides (http://www.musee-armee.fr) foi construído para receber os soldados inválidos de seu exército, que precisavam de um lugar tranquilo para se recuperarem, ou passarem o resto de seus dias. O hospital, construído entre 1670 e 1676, também guardava muitos armamentos de guerra, e foi então invadido pelos manifestantes durante a Revolução. A intenção era roubar as armas para, assim, tomar a Bastilha, prisão que simbolizava o poder absolutista da época. Hoje, o Hôtel abriga o Musée des Invalides, que expõe dezenas de armas, armaduras, documentos de guerra, a tumba de Napoleão Bonaparte e seu cavalo branco entalhado.

Place de la Concorde

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A tranquilidade da Place de la Concorde e suas fontes pouco lembra o período sanguinolento da Revolução, mas a plaquinha indicando o local onde a guilhotina ficava, e também os nomes dos executados, não nega seu passado sombrio. A praça é a segunda maior da França, e foi lá que o rei Louis XVI e Marie Antoinette perderam suas cabeças, em 1793. O lugar serviu também como o grande ponto de reunião dos manifestantes, e seu nome, concórdia, em português, simboliza a reconciliação dos franceses pós Revolução. O famoso Obélisque, presente do vice-rei do Egito, Mehmet Ali, ao rei da França, Carlos X, também está lá.

Château de Versailles

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O Château de Versailles, símbolo da monarquia francesa, foi a morada da família real graças aos caprichos do Rei Louis XIV, que quis transformar o antigo pavilhão de caça de seu pai em um dos maiores palácios do mundo. Já com o Rei Louis XVI nos aposentos, o lugar foi alvo da “Marcha sobre Versalhes”, protesto decisivo que foi fundamental para a Revolução acontecer. O acontecimento foi impulsionado por mulheres que protestavam contra o alto preço e a escassez do pão, e que depois se uniram a outros revolucionários que exigiam reformas políticas. O resultado foi a expulsão do rei e sua família do château,  obrigados a se refugiarem em Paris. Já durante a efervescência da Revolução, a mobília do palácio foi leiloada a preços módicos para armar o povo, que precisava de aparato para enfrentar o poder real, e pagar os credores do Estado.

La Bastille

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A Prison de la Bastille foi tomada em 14 de julho de 1789, dia considerado o clímax da Revolução, tanto que seu simbolismo histórico permanece até hoje, já que nessa mesma data é comemorada a Fête de la Féderation, feriado nacional na França. O local, à época, além de manter presos políticos, era também depósito de armas do exército francês, e por isso mesmo um chamariz para os revolucionários, que ocuparam a prisão e pegaram todo o armamento para desmobilizar o poder real. No mesmo ano, a agitação política culminou na destruição e incêndio da prisão.  

La Conciergerie

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Essa antiga prisão recepcionou ninguém menos que Maria Antonieta, que depois de ser transferida para o Palais des Tuileries e lá passar seus últimos dias de conforto, foi parar em um quartinho modesto na La Conciergerie, onde esperou o dia de sua morte na guilhotina. A lenda diz que seus cabelos ficaram brancos da noite para o dia enquanto aguardava o momento decisivo, que aconteceria na Place de la Concorde. Sua cela, bem como a própria prisão, dona de arquitetura medieval belíssima, podem ser visitadas.