Top 3: Fatos sobre o hip-hop francófono

13 de março de 2017 às 12:37

Por Beatriz Prieto

Berço do hip hop europeu, a França foi o primeiro país fora das fronteiras dos Estados Unidos a germinar esse estilo musical. Graças às porções urbanas pobres das periferias de Paris, Marseille, Lyon, entre outras cidades, o hip-hop foi ganhando representatividade a partir da década de 80, momento de ebulição em que a cultura das ruas começava a ganhar voz .

Não demorou muito até outros países francófonos, como o Canadá, pegarem referências do rap francês para tecerem seu próprio estilo, tendo com um dos expoentes o grupo Mouvement Rap Francophone (MRF), originário de Montréal. Hoje, temos rappers como o Webster, quebequense que virá ao Brasil neste mês durante a Festa da Francofonia fazer shows e oficinas de escrita no Teatro Aliança Francesa, e também em Campinas e São José dos Campos. Saiba alguns fatos sobre o hip-hop francófono:

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Rappers com as famosas correntes e jaquetas bomber 

O começo das batidas

O livro Mouvement 1984-92, do fotógrafo Yoshi Omori, documenta o início do hip-hop na França, mostrando como essa cultura alternativa começou a ser formar e a congregar cada vez mais seguidores. Segundo Omori, em entrevista para o portal Vice, os rappers vinham de Paris e dos subúrbios, formando uma espécie de caldeirão cultural e marcando presença em clubes pequenos como o Le Globo e o Le Bataclan. Competições de break eram realizadas e a moda das jaquetas bomber, óculos escuros e correntes chamativas começava a povoar as ruas no começo da década de 80.

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Os primeiros encontros de rap, nos anos 80

Outro material que pode ser consultado para entender em profundidade como se deu a abertura francesa para o hip-hop é o livro Hip-Hop, une histoire française, do jornalista Thomas Blondeau, publicado em 2016 e que conta como os nomes Dee Nasty e Sidney, por exemplo, foram se tornando famosos no circuito do rap e impulsionando o movimento. Neste link você pode conferir uma playlist com 100 clássicos do rap e sentir as batidas nostálgicas:


O diálogo entre França e Canadá

Entre 1990 e 1996, a ligação entre os dois países por meio da música começou a ficar mais explícita, especialmente depois que o rapper senegalense criado em Paris, MC Solaar, participou do festival de música francófona Francofolies de Montréal, em 1992. Inspirados pelos franceses, que compartilham a mesma língua, o Québec teve o grupo Dubmatique como um dos representantes da efervescência do hip-hop canadense. Eles participaram da trilha sonora do filme La Haine, obra fundamental para compreender os guetos de Paris, morada de muitos imigrantes que utilizaram o rap como uma ferramenta de contestação social e expressão da realidade que viviam. Com a vinda da internet em massa, ficou ainda mais fácil se apropriar de referências, trocar ideias e favorecer o diálogo entre os dois países.


Tema de muitos festivais

O Paris Hip-Hop é um dos festivais mais tradicionais, e traz nomes franceses e também de outros países para shows. Só em 2016, foram 400 artistas convidados, somando 40 eventos distribuídos em 15 dias na Île-de-France. Os entusiastas do rap também podem contar com o Paris Hip Hop Winter e  com o Buzz Booster, uma competição que dá visibilidade para vários artistas emergentes da cena, todos organizados pelo Hip-Hop Citoyens. Já o Canadá conta com o Montreal Jazz Fest, que além do jazz, também inclui apresentações que flertam com o universo do rap, tendo já trazido grupos como o Public Enemy, Random Recipe e o curioso Nomadic Massive, que mistura três línguas em suas composições: o francês, o crioulo e o inglês. Nada mais representativo da cultura hip-hop, que se formou por meio do intercâmbio de estilos e artistas, e também de outras artes como o graffiti e o breakdance.