Top 5: Famosos cabarets de Paris

13 de junho de 2017 às 11:57

Por Beatriz Prieto

A arte dos cabarets vai bem além do balançar de cinturas e pernas de dançarinos. Está na performance, no cenário, no espetáculo de uma casa de shows que usa, ao mesmo tempo, sacadas cômicas e sensuais para cativar seu público. Paris é o berço das plumas e das  folies nocturnes, e possui monumentos que são verdadeiros santuários históricos – um deles projetado por Gustave Eiffel, inclusive! Muitos, para incrementar a experiência, oferecem jantares requintados, com menu de três etapas, enquanto os espectadores se divertem com o cancan, o vaudeville, ou mesmo com o som aveludado do jazz. Conheça a história de alguns deles:

Moulin Rouge

moulin_1

A simbólica fachada do Moulin Rouge 

O cabaret foi fundado em 1889 e é dono do icônico moinho de vento, uma réplica do original, construído no século 19. De tanta fama que fez, os dançarinos desse clássico monumento à boemia estão representados nos pôsteres de Toulouse-Lautrec, um dos assíduos frequentadores do lugar, que por sinal ganhará uma exposição no MASP, no final do mês (link masp). O Moulin Rouge é, sem dúvida, o mais célebre cabaret de Paris, e ainda funciona e se mantém com shows como o Féerie, que traz 80 artistas, 1.000 fantasias tomadas de plumas, e uma decoração cheia de pompa.

moulin_rouge_la_goulue

Um dos cartazes feitos por Toulouse-Lautrec para o Moulin Rouge 

Paradis Latin

trapeze-_au_paradis

As acrobacias em um espetáculo do Paradis Latin

Diferentemente do Moulin Rouge, que recebe em sua maioria turistas, o Paradis tem franceses entre os espectadores. Nada mais justo pois, salvo os shows igualmente caprichados, o cabaret fica em um antigo teatro dos anos 1803, o Théâtre Latin, que foi demolido durante a guerra franco-prussiana e depois reconstruído por ninguém menos que Gustave Eiffel, que projetou a Torre que leva o seu sobrenome. Depois de reinaugurado em 1889, o lugar permaneceu aberto até os anos 30, quando veio à falência. Os olhos visionários do comprador Jean Kriegel, porém, deram vida nova ao cabaret nos anos 1970. Uma cúpula pintada à mão e a estrutura em metal feita por Eiffel garantiram o tombamento histórico do edifício. O lugar é especializado em números de cancan e vaudeville.

Le Lido de Paris

lido-de-paris

Os glamourosos cenários do Le Lido de Paris

Fundado no fim da Segunda Guerra Mundial por dois empresários e irmãos italianos, o Lido foi fruto de uma investida curiosa, mas que deu muito certo. Os shows são absolutamente ricos em cenário, fantasia e interpretação. Tudo é uma grande performance. De acordo com o site oficial, foram eles que implementaram o conceito de “dinner show”, que permite jantar um menu sofisticado de três etapas, harmonizado com champagne ou vinho, enquanto assiste a apresentação. O cabaret também é famoso pelas chamadas Miss Bluebell, que em seu início faziam parte do grupo de uma dançarina irlandesa, na década de 30. Em 1948 ela e seu time de dançarinas talentosas começaram a trabalhar no Lido, e até hoje o nome “bluebell” batiza algumas profissionais.

Crazy Horse

O estilo moderninho e os shows da casa são mais contemporâneos, e também um tanto mais ousados que os das três casas mencionadas acima. Localizado na Avenida George V, com lojas de luxo como Givenchy e Balenciaga por perto, o Crazy Horse abriu suas portas em 1951, bem mais tarde que os outros concorrentes. Não há restaurante, o que impede que o famoso dîner seja servido, mas o público, sentado nas poltronas de veludo, pode curtir o show das 20 dançarinas – todas elas bailarinas clássicas. O lugar já contou com a presença de figuras como o pintor catalão Salvador Dalí, e com o estilista alemão Karl Lagerfeld. 

facade-crazyhorsehdmarkdaviesphoto

Fachada do moderninho Crazy Horse 

Aux Trois Mailletz

foto-2

No Aux Trois Mailletz, mais intimista, o público fica bem próximo

A produção, cenário e figurino deste cabaret destoa dos demais. O Aux Trois Mailletz segue uma fórmula mais antiga, onde a maquiagem e o padrão corporal dos dançarinos não era tão importante, e por isso tem seu valor como a casa de shows lado B de Paris. Em outros lugares, como o Crazy Horse, tudo é absolutamente formatado, desde a peruca usada pelas profissionais, até a altura e longitude das pernas. O padrão pode parecer previsível demais para quem quer ser surpreendido, e sentir o cheiro e o suor de um cabaret à moda antiga, desses que Toulouse-Lautrec e Manet frequentavam nos tempos de outrora. Outro ponto positivo é que a casa também faz apresentações de jazz, e em seu palco já cantaram estrelas como Billie Holiday e Ella Fitzgerald.