Top 5: filmes franceses para pensar na vida

12 de setembro de 2017 às 16:49

Por Beatriz Prieto

O cinema, em seu papel de produção artística, tem como uma das missões provocar o público a refletir e, de alguma forma, levantar questões. Marcadamente com este perfil, a sétima arte francesa tem um lugar de destaque na reflexão, com seus longas indo na contramão de Hollywood. Seja embrulhado em uma temática densa e inquietante, como Amour, de Michael Haneke, ou em formatos mais leves e divertidos, a exemplo do aclamado Intouchables, de Olivier Nakache, são minutos preciosos que carregam consigo interrogações pertinentes.

Selecionamos, logo abaixo, cinco longas ótimos para te fazer pensar e, claro, lembrando que dia 25 de setembro o Teatro Aliança Francesa terá a segunda edição do Cine Conversa, com a exibição do documentário Em Busca de Sentido, seguido de bate-papo com o diretor Marc de la Ménardière, outra obra que certamente deixará os espectadores inquietos na cadeira. Voilà nossas suggestions:

Dois dias, uma noite (Deux jours, une nuit)


Apontando um dos vieses mais sádicos no mundo do trabalho, Marion Cotillard vive Sandra, uma mulher que está prestes a ser demitida, mas que precisa contar com a solidariedade de seus colegas de trabalho para que a situação possa ser revertida. Seu chefe dará um bônus aos funcionários que concordarem com a sua demissão, mas ela resiste e vai atrás de cada um contando sua história e pedindo ajuda. O longa é uma lição de humildade e de força, além de dar vez à atuação de Cotillard, estrela do cinema francês.

Amor (Amour)

A questão do tempo é colocada em xeque neste longa, com um casal de idosos que sobrevive aos anos ao mesmo tempo em que deixa a juventude e a boa saúde física e mental para trás. A esposa, interpretada por Emmanuelle Riva, tem parte do corpo paralisado, e a nova dinâmica do relacionamento afeta grandemente os dois. Companheiros de vida e unidos pelo sentimento, eles tentam  encontrar algum tipo de harmonia que possibilite a convivência e o entendimento. Para isso, muitas saídas são cogitadas, nem todas ela de fácil compreensão.

O fabuloso destino de Amélie Poulain
(Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain)

 

Figurinha carimbada quando falamos em cinema francês, o filme é atemporal e consagrou Audrey Tautou com sua atuação absolutamente natural e espontânea. Visto uma, duas, ou dezenas de vezes, o destino de Amélie Poulain nos ensina como é importante termos coragem de fazer algo novo, de experimentar e estar aberto às surpresas. A personagem consegue se desvencilhar de decepções e frustrações do passado depois que se encarrega de uma missão: encontrar o dono de uma caixa misteriosa que encontra em seu apartamento. Sua vida vai tomando outras formas graças a esta disposição ao acaso.

Intocáveis (Intouchables)


Campeão de bilheteria, foi o filme mais visto na França em 2011, e ainda tem Omar Sy e François Cluzet como personagens principais! A história mostra uma amizade improvável entre um milionário tetraplégico e seu ajudante, que não se encaixa no perfil de profissional exigido pela vaga. Os dois acabam por tecer uma amizade intensa, marcada por aventuras divertidas, o que passa a mensagem de que por vezes é melhor nos desvencilharmos de padrões para conhecermos pessoas e vivermos experiências diferentes, tudo de uma forma bem leve e com muito humor.

Minhas tardes com Margueritte (La tête en friche)

O longa mostra um encontro de gerações e de saberes que, compartilhados, transformam o nosso modo de olhar as coisas. Gérard Depardieu interpreta um jardineiro simples e com pouco estudo que encontra Margueritte, uma senhora simpática e aficionada por livros. A troca de diálogos e longas tardes de pensatas ao ar livre oferecem ao jardineiro a atenção que ele poucas vezes teve na vida, e que por isso o transformam. Igualmente leve e solar, a história levanta a bandeira da amizade e da escuta.