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6 autores africanos francófonos para você ler e conhecer

3 de julho de 2020 às 11:54

A literatura africana em língua francesa ainda é pouco conhecida no Brasil

Diferentes países africanos tem o francês como língua oficial ou um dos principais idiomas falados. Isso se deve aos anos de colonização europeia que esse continente sofreu ao longo dos séculos XIX e XX. Já falamos aqui no blog sobre o crescimento do número de falantes de francês, principalmente no continente africano.

Atualmente a produção literária da África francófona tem ganhado cada vez mais espaço no mercado editorial. Quebrando barreiras do idioma, autores africanos têm tido seus livros traduzidos para o português e suas obras estudadas pelos pesquisadores e críticos. Selecionamos seis escritores que podem abrir as portas para esse universo literário ainda pouco explorado no Brasil. Seus livros questionam conceitos como a diáspora negra, neocolonialismo e os estigmas associados às diferentes culturas do continente.

Scholastique Mukasonga

Scholastique Mukasonga (1956) é uma escritora nascida em Ruanda. Ela emigrou em 1992, dois anos depois do genocídio dos Tutsis, para se estabelecer na França, onde vive e trabalha atualmente. Seus livros, a maioria deles premiados, foram publicados pela prestigiosa editora Gallimard, entre eles Inyenzi ou les cafards (2006), La femme aux pieds nus (2008), L’iguifou (2010) e Notre-Dame du Nil (2012). Ela esteve na Aliança Francesa em 2019 durante um encontro dos Diálogos Transversais, assista ao encontro aqui!

Ela já ganhou o Prix Renaudot, uma das mais importantes premiações literárias da França. Ter aprendido francês em um colégio católico foi fundamental para que ela pudesse escapar de Ruanda, durante o genocídio que matou grande parte da sua família. A imposição da língua francesa na colonização africana é um dos assuntos mais presentes na literatura de Mukasonga.

Conheça três traduções de seus livros publicadas pela Editora Nós

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Alain Mabanckou

O escritor é considerado um dos principais nomes da literatura francófona contemporânea, Alain Mabanckou esteve no Brasil alguns anos atrás para o Festival Black to Black em parceria com o Consulado Geral da França em SP.

Nascido em Pointe Noire, cidade litorânea e principal centro comercial da República do Congo, ele é autor de cinco romances, seis livros de poesia. Atualmente ele também é colunista em jornais como Le Figaro e Le Soir (Bruxelas). Em 2006, seu romance Mémoires de porc-épic (Memórias de um porco espinho), conseguiu o importante prêmio Renaudot. Em 2008, Mabanckou traduziu do inglês para o francês a obra de Uzodinma Iweala, um escritor nigeriano considerado como um jovem prodígio da literatura norte-americana.

Veja alguns dos livros do autor traduzidos pela Editora Malê, especializada em autores negros. 

Ahmadou Kourouma

Nascido na Costa do Marfim, Ahmadou Kourouma (1927-2003) é um escritor de origem familiar Malinquê. Seu primeiro livro,  Les Soleils des indépendances (1976), faz uma análise muito crítica dos governantes da pós-descolonização e fez com que ele se tornasse um dos escritores mais importantes do continente africano.

Em 2000, ele escreveu Allah n’est pas obligé (traduzido no Brasil como Alá e as crianças-soldado) a história de um órfão que se torna um soldado infantil. Com essa obra, ele recebeu recebe o Prêmio Renaudot, um dos principais troféus literários da língua francesa.

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Abdellah Taïa

Marroquino, nascido em Rabat, Abdellah Taïa (1973) é um jovem autor em ascensão na língua francesa. Autor de romances como Le roi du Jours (2010), ganhador do Prêmio Flore, Infidèles (2012) e Un pays pour mourir (2015). Seus livros trazem as experiências sociais da geração de marroquinos que cresceu entre as décadas de 1980 e 1990, convivendo com o embate entre tradição e modernidade.

Assumidamente gay, desde 1998 ele vive em Paris num auto-exílio, devido à ilegalidade da homossexualidade em seu país natal. Estudou Literatura francesa na Suíça e na França e atualmente trabalha como jornalista para o Le Monde. Ele teve seu primeiro livro traduzido no Brasil em 2018. Celui qui est digne d’être aimé (Aquele que é digno de ser amado) é um romance epistolar que faz uma reflexão, não apenas sobre a sexualidade do autor, mas também sobre o colonialismo e as relações de poder.

Conheça o seu livro traduzido pela Editora Nós

Amadou Hampâté Bâ

Nascido em Bandiagara, Amadou Hampâté Bâ (1901-1991) é um escritor do Mali. Ele foi funcionário burocrático durante o período colonial e diplomata após a independência. Dedicou-se desde cedo à coleta de narrativas orais. É considerado um especialista no estudo das sociedades africanas das savanas.

A partir dessa tradição publicou Kaïdara, récit initiatique peul (1969), Njeddo Dewal, mère de la calamité (1985) e Ce que vaut la poussière (1987). Ganhou fama com o romance L’Étrange Destin de Wangrin (1973), que venceu o Grande Prêmio Literário da África negra em 1974. Ele dedicou o fim de sua vida a escrever suas memórias, Amkoullel, l’enfant peul (Amkoullel, o menino fula) um dos únicos livros do autor publicados no Brasil.

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Tahar Ben Jelloun

Romancista e poeta nascido em Fez, no Marrocos, Tahar Ben Jelloun (1944) teve seus trabalhos traduzidos para mais de trinta idiomas. Estudante de filosofia, ele foi punido por organizar manifestações estudantis e foi obrigado a ingressar no exército. Mais tarde, em liberdade, ele se mudou para a França para se especializar em psicologia.

Seu romance Racismo Explicado à Minha Filha (1997), ganhou sucesso internacional, tornando-se um livro fundamental na discussão sobre antirracismo e anticolonialismo. Ele também recebeu um dos mais importantes prêmios literários na França, o Prêmio Goncourt, por seu romance La nuit Sacrée (A Noite Sagrada) e foi eleito membro da Academia Goncourt em 2008. Seus livros também trazem à tona o universo do islamismo, buscando desmistificar preconceitos associados à religião.

Veja alguns de seus livros traduzidos em português. 

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